Na última segunda-feira, 06 de julho, uma ocorrência inicialmente tratada como furto em residência terminou com a prisão de uma mulher no bairro Divinéia, em Água Boa, após a Polícia Militar descobrir que o crime havia sido forjado. A denúncia foi feita por um morador, que relatou o desaparecimento de uma quantia em dinheiro dentro de casa. No entanto, ainda durante os primeiros levantamentos, os militares perceberam que a cena apresentada não era compatível com uma invasão, já que não havia sinais de arrombamento, marcas de entrada forçada ou qualquer indício claro de rota de fuga.
Segundo a Polícia Militar, a suspeita havia conhecido a vítima pela internet e, após o início do relacionamento, passou a morar com ele em Água Boa. Durante a apuração, ela sustentou que o dinheiro teria sido levado por terceiros, mas apresentou diferentes versões sobre o caso. Entre as justificativas dadas aos policiais, contou que havia saído para a academia e parado na casa de vizinhos para chegar em casa depois do companheiro, numa tentativa de fazê-lo acreditar que a residência teria sido alvo de criminosos. Em meio à ocorrência, também citou histórias envolvendo dívida milionária, morte de uma filha por câncer, perdas em apostas no “Tigrinho”, sequestro e até extorsão.
As contradições aumentaram ainda mais as suspeitas da equipe. Ao analisar as imagens das câmeras de segurança, os policiais constataram que nenhuma pessoa estranha entrou ou saiu da residência no período apontado como momento do suposto furto. As filmagens mostraram apenas a movimentação da própria mulher, o que enfraqueceu de vez a versão apresentada. Durante buscas dentro da casa, os militares localizaram cerca de R$ 7,3 mil escondidos em diferentes pontos do imóvel, parte deles dentro de uma bolsa guardada no alto do guarda-roupa do quarto do casal.
A checagem dos dados da suspeita também revelou inconsistências. Conforme a PM, ela dizia ser do Espírito Santo, mas a documentação apresentada indicava origem no Mato Grosso. Diante das evidências reunidas, da ausência de qualquer sinal de invasão e das contradições sucessivas, a mulher acabou confessando que havia furtado o dinheiro e montado toda a cena para simular o crime. A confissão confirmou a suspeita de que o caso não passava de uma tentativa de enganar tanto o companheiro quanto a própria polícia.
Após a descoberta da farsa, a mulher foi presa em flagrante e encaminhada à Delegacia de Polícia Civil de Capelinha, juntamente com parte do dinheiro recuperado. O caso chama atenção não apenas pela tentativa de encobrir o furto com uma falsa narrativa de invasão, mas também pela forma como a investigação desmontou, passo a passo, a versão apresentada. O que começou como um suposto crime patrimonial terminou revelando um golpe articulado dentro da própria residência da vítima.



