Governador Mateus Simões afirma que deputado tentou obter facilitação em contrato
O debate entre candidatos ao Governo de Minas Gerais, exibido na noite de terça-feira (29), terminou marcado pelo confronto entre o governador Mateus Simões (PSD) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). No centro da discussão esteve o oferecimento de propina por parte do deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos), apoiado politicamente por gestores de Minas Novas e Setubinha.
Durante o embate, Simões afirmou que Pettersen teria lhe oferecido R$ 10 milhões para facilitar a contratação de uma empresa pelo governo estadual. Segundo informações da Rádio Itatiaia, o deputado teria abordado novamente o vice-governador para cobrar a efetivação da contratação durante um evento em Trancoso (BA), em 23 de novembro de 2024.
“Em todo o meu tempo de vida pública, uma única pessoa me ofereceu propina: Euclydes Pettersen. Tentou me oferecer R$ 10 milhões no meio de um casamento para que eu pudesse facilitar um contrato para ele”, afirmou Simões.
O governador disse ainda que não aceitou a proposta “Não só não facilitou como denunciei o fato para que ele nunca possa chegar perto dos contratos da Prodemge”, afirmou. Em seguida, Mateus aconselhou Cleitinho sobre sua proximidade com Euclydes.“Cleitinho, para com isso. Se liberta dessas amizades. Não se deixa cercar por esse tipo de gente”, complementou Simões.
Contexto da denúncia
Segundo reportagem da Rádio Itatiaia publicada nesta quarta-feira (30), os primeiros contatos ocorreram em fevereiro de 2024. quando Pettersen teria pedido apoio do governo para a escolha do advogado Fábio Silveira para uma vaga de desembargador do TJMG. A solicitação foi recusada pelo então governador Romeu Zema.
Em julho de 2024, Pettersen teria intermediado o contato de Saulo de Tasso Dino, representante da Fictor, para apresentação de uma solução tecnológica para o registro de empréstimos consignados. O serviço já era realizado pela Prodemge e que não havia interesse do governo na realização de uma licitação.
O governador levou o episódio ao conhecimento do controlador-geral do Estado, Rodrigo Fontenelle, e do secretário-geral, Marcel Beghini, e conforme a reportagem, a análise técnica e jurídica concluiu que não havia elementos para avançar com uma representação policial pela ausência de testemunhas.
Pronunciamento de Euclydes Pettersen
Procurado pela Rádio Itatiaia, Euclydes Pettersen negou integralmente a acusação de que teria oferecido R$ 10 milhões a Simões. “As gravíssimas acusações feitas pelo candidato Mateus são falsas e inverídicas. Essa conversa nunca aconteceu”, declarou Pettersen. O deputado também afirmou que, caso a oferta tivesse ocorrido, Simões teria o dever de comunicar imediatamente o episódio às autoridades.
Pettersen disse ainda que pretende exigir judicialmente documentos que comprovem a existência da denúncia. “Vamos exigir na Justiça documentos idôneos de que houve protocolo dessa denúncia lá”, afirmou. O deputado também acusou Simões de utilizar o episódio no contexto eleitoral e afirmou que pretende buscar responsabilização por calúnia, difamação e danos morais.



