Encontro promoveu troca de experiências com profissionais, gestantes e puérperas
Saberes construídos e transmitidos por gerações entre mulheres do Vale do Jequitinhonha ganharam espaço dentro de uma das maiores maternidades públicas de Belo Horizonte. Nos dias 20 e 21 de agosto, o Hospital Sofia Feldman recebeu a Vivência Rebuçá, iniciativa que promoveu o encontro entre práticas tradicionais de cuidado com mães e bebês e a assistência humanizada ao parto e ao nascimento.
A programação levou as mulheres do Vale do Jequitinhonha para diferentes espaços da maternidade. Elas percorreram setores assistenciais, participaram de uma roda de saberes e estiveram próximas das pacientes e das equipes responsáveis pelo atendimento. O encontro colocou lado a lado profissionais habituados à rotina de um grande hospital e mulheres que carregam conhecimentos adquiridos pela experiência e preservados ao longo de gerações em suas comunidades.
Entre as atividades realizadas, gestantes e mulheres que haviam acabado de dar à luz receberam escalda-pés e participaram de momentos de acolhimento e troca de experiências. Um dos momentos que simbolizou essa aproximação ocorreu com a chegada dos corins aos leitos da maternidade. Ao todo, 250 dessas mantinhas tradicionais foram confeccionadas por tecelãs quilombolas do Vale do Jequitinhonha e entregues às mães atendidas pelo hospital.
A entrega das mantinhas foi acompanhada pelas cantigas de ninar do Grupo Ribeirão de Areia. Entre as experiências compartilhadas esteve a de Dona Maria da Conceição, que levou para a maternidade conhecimentos adquiridos ao longo de mais de três décadas como parteira.
A Vivência Rebuçá faz parte do Projeto Rebuçá, iniciativa da Tingui, organização sem fins lucrativos que atua no Vale do Jequitinhonha desde 1999 e desenvolve o programa Mulheres do Jequitinhonha. A ação ocorre em parceria com o Hospital Sofia Feldman, referência em parto humanizado, a Fiocruz e o Projeto Sentidos do Nascer.



