Governo de Minas suspende consultas sobre escolas cívico-militares

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Capelinha tinha quatro instituições envolvidas no processo, agora em pausa por decisão do governo estadual

A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) suspendeu, neste domingo (13/7), o processo de consulta pública que previa a manifestação das comunidades escolares sobre a adesão ao modelo cívico-militar em cerca de 700 escolas da rede estadual. A decisão ocorre após diversas críticas ao programa e será acompanhada de novas diretrizes, que devem ser divulgadas pelo governador Romeu Zema e pelo secretário de Educação, Igor Alvarenga, em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (14/7).

Na região da Superintendência Regional de Ensino de Diamantina, o processo envolvia os municípios de Capelinha, Diamantina e Itamarandiba. Em Capelinha, quatro escolas haviam sido selecionadas para participar da sondagem: Escola Estadual Domingos Pimenta de Figueiredo, Escola Estadual Professor Antônio Lago, Escola Estadual Dr. Juscelino Barbosa e Escola Estadual Professora Geralda Otoni Barbosa. A suspensão interrompe temporariamente as assembleias que vinham sendo organizadas para que pais, alunos, professores e demais membros da comunidade escolar se manifestassem até o dia 18 de julho.

O programa previa a implantação de um modelo de gestão compartilhada entre educadores e militares, sem interferência direta no conteúdo pedagógico. A atuação militar seria voltada ao apoio disciplinar, mediação de conflitos e fortalecimento de valores cívicos no ambiente escolar. O modelo tem como foco os anos finais do Ensino Fundamental e o Ensino Médio.

Apesar de o governo estadual defender a proposta como alternativa para reduzir a evasão escolar e melhorar a disciplina, a iniciativa foi alvo de questionamentos por parte de sindicatos e profissionais da educação. O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) criticou duramente o modelo, alegando que ele ameaça a autonomia pedagógica das escolas e introduz uma lógica hierárquica que não dialoga com a realidade das instituições de ensino.

Com a suspensão temporária, a expectativa agora gira em torno das novas orientações da SEE/MG. A decisão final sobre a continuidade ou cancelamento do projeto nas escolas mineiras dependerá da posição do governo estadual e da mobilização da comunidade escolar nos próximos dias.

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